sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

Economia indica necessidade de ‘dose maior’ do remédio, diz Galípolo sobre juros

(FOLHAPRESS) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (1º) que o “dinamismo excepcional” da economia brasileira pode indicar a necessidade um ciclo mais pesado de aperto da política monetária.

 

“Talvez os canais de transmissão da política monetária não funcionem aqui no Brasil com a mesma fluidez que costuma funcionar em outros países, e que eventualmente você precise dar doses maiores de remédio para conseguir o mesmo efeito.”

Em breve discurso, o presidente da autoridade monetária citou a queda da taxa de desemprego e o crescimento do rendimento das famílias como exemplos do que chamou de dinamismo da economia.

Galípolo participou nesta manhã de uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados em comemoração aos 60 anos da autoridade monetária. Deputados que discursaram durante a cerimônia se queixaram do atual patamar de juros -na mais recente reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, a Selic foi a 14,25% ao ano.

O presidente da autoridade monetária disse que são frequentes os questionamentos dos motivos pelos quais a taxa de juros restritiva não interrompe o crescimento e também a comparação com outros países. “Colocar a questão nesses termos”, afirmou, “me parece que ela não toca o problema de maneira adequada.”

Galípolo disse considerar importante a normalização da política monetária e a melhoria na comunicação das decisões da autoridade monetária. Fez também críticas ao que chamou de “uma série de subsídios cruzados, perversos e regressivos na sociedade brasileira”.

É necessário, segundo ele, superar o “equilíbrio, entre aspas” em que “alguns grupos conseguem exceções para pagar menos, enquanto uma grande maioria é obrigada pagar mais em compensação”.

“Talvez para nós, do Banco Central, esses trade-offs, como a gente costuma chamar, esses ônus e bônus, essas trocas, sejam muito mais evidentes. É natural, todo mundo gostaria de ter o melhor dos dois mundos, mas cabe a gente também, enquanto Banco Central, explicar, transparecer e discutir melhor essas questões com a sociedade.”

Gabriel Galípolo não falou com a imprensa antes ou depois da cerimônia. Sua segunda agenda prevista para esta terça é uma reunião com o CEO do bancos Master, Daniel Vorcaro, na sede do BC em Brasília.

O Banco Central tem até 360 dias para analisar a operação do BRB (Banco de Brasília) de aquisição do Master. A negociação foi tornada pública na última sexta-feira (28). Na segunda, Galípolo se reuniu com o presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Costa, e com André Esteves, chairman e sócio sênior do Banco BTG Pactual.

Nesta terça na Câmara, Galípolo defendeu que as autoridades monetárias dialoguem mais com o público para explicar política monetária, estabilidade e combater desinformação e fraudes. Quando criticado publicamente por suas decisões, disse Galípolo, cabe ao Banco Central explicar “o que faz e porquê faz”.

Os ex-presidentes do Banco Central Henrique Meirelles e Alexandre Tombini, o presidente da Frebraban (Federação Brasileiras dos Bancos), Isaac Sidney, o ex-deputado federal Rodrigo Maia, da CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), e o secretário Marcos Pinto, de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, também participaram da sessão solene nesta terça.

O atual presidente do BC disse que o banco operou “transformações e revoluções no mercado financeiro” nos últimos anos, por meio de inclusão financeira, melhoria na competitividade e estímulo ao empreendedorismo. Galípolo defendeu a necessidade de adaptar o arcabouço legal e institucional da autoridade monetária para dar conta dessas transformações dos últimos anos.

“As obrigações do Banco Central vêm crescendo desde então e talvez essa revolução que a gente assiste no mercado financeiro não teve uma revolução proporcional no arcabouço legal ou institucional”, afirmou. Galípolo disse que o trabalho vem sendo feito por meio da “excelência da equipe técnica, do servidores” e defendeu “soluções para que eles possam assumir as novas obrigações”.

O Banco Central vem negociando no Congresso Nacional uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que amplia a autonomia da autoridade monetária. O Ministério da Fazenda também estuda um modelo de longo prazo que transforma o órgão em super-regulador.

A PEC prevê que o Banco Central passaria de autarquia especial para empresa pública de natureza especial, o que daria maior autonomia financeira, como ocorre no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

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