quarta-feira, 28 janeiro, 2026

Deputado diz que ferrovia bioceânica é a oportunidade para o Acre se tornar “protagonista de uma nova rota de desenvolvimento”

Durante sessão realizada nesta terça-feira, 8, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado estadual Edvaldo Magalhães destacou o potencial transformador da ferrovia bioceânica, cuja rota deve passar obrigatoriamente pelo Acre. Segundo o parlamentar, trata-se de uma oportunidade histórica para o estado, com impacto direto no desenvolvimento logístico, industrial e econômico da região.

“Essa é a oportunidade da nossa geração. A ferrovia não vai passar pelo Acre porque o estado lutou por isso, infelizmente, não foi. Ela vai passar porque a nova geografia da disputa comercial mundial exige. E precisamos estar preparados para tirar o melhor proveito disso”, afirmou Magalhães.

O deputado se referiu ao termo de cooperação assinado entre o Ministério dos Transportes do Brasil e a estatal chinesa de ferrovias, que prevê o estudo de viabilidade da ferrovia bioceânica, ligando o Brasil ao Peru e, de lá, ao Oceano Pacífico. O projeto, que está em discussão desde o início da década de 2010, poderá reduzir em até 12 dias o tempo de exportação para os mercados asiáticos, fortalecendo o papel do Brasil e do Acre no comércio internacional.

“O porto de Chancay, no Peru, já está pronto, com investimento de US$ 3,5 bilhões. A ferrovia será o elo que falta para transformar o Acre em um verdadeiro corredor de exportação. Com ela, também ganhamos a chance de ativar a ZPE [Zona de Processamento de Exportação] e atrair cadeias produtivas para o estado”, reforçou o deputado.

Magalhães também fez críticas à capacidade de execução do atual governo estadual, afirmando que o Acre tem sofrido com baixo investimento público e falta de preparo para conduzir projetos estruturantes. Diante disso, ele propôs que a própria Aleac lidere os debates sobre o papel do estado no projeto da ferrovia.

“Não acredito que o governo tenha hoje a capacidade instalada para responder a um desafio dessa magnitude. Mas a Assembleia pode e deve assumir essa missão. Podemos ser a casa que promove o debate com qualidade técnica, ouvindo especialistas, discutindo industrialização, integração regional e os rumos do Acre dentro da nova ordem econômica mundial”.

Para o deputado, esse é um momento decisivo para o futuro do estado, e a atuação política precisa estar à altura do desafio.

“O Acre precisa se posicionar com ousadia, com planejamento e com visão estratégica. Essa ferrovia é a chance de nos tornarmos protagonistas de uma nova rota de desenvolvimento, que vai muito além do discurso”, concluiu.

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