quarta-feira, 4 março, 2026

Com hospital em obras há quase 3 anos, moradores cobram conclusão de reforma na Aleac

  • Fonte: G1 AC

Com o Hospital-Geral Doutor Baba de Feijó, no interior, em obra há quase três anos, os moradores do município se reuniram nesta terça-feira (3) com deputados e sindicalistas na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

O grupo foi recebido pela Comissão de Saúde Pública e Assistência Social, com participação do prefeito de Feijó, Railson Ferreira, e vereadores.

O encontro ocorre após moradores fecharem um trecho da BR-364 em por três dias em protesto por melhorias na saúde e a conclusão do hospital. Após três dias de bloqueio e protesto, a via foi liberada no fim da tarde de 22 de fevereiro.

Representantes dos moradores de Feijó cobram conclusão da obra do hospital do município — Foto: Sérgio Vale/Asscom Aleac
Representantes dos moradores de Feijó cobram conclusão da obra do hospital do município — Foto: Sérgio Vale/Asscom Aleac

A reforma na unidade iniciou em agosto de 2023 e o primeiro bloco deveria ser entregue em maio de 2025. Contudo, a primeira empresa contratada teve o contrato rescindido em ano passado. A atual empresa começou a trabalhar na reforma ainda em 2025.

Pamela Moraes, gestora de organismos de políticas para as mulheres (OPMs) do município, contou que os moradores precisam buscar por atendimentos nos hospitais de outros municípios por conta da reforma.

“O primeiro documento que temos é de dois anos atrás, com previsão de entrega para maio de 2025. Como não foi entregue, fizemos um segundo movimento, realizamos uma audiência pública, foi dado um novo prazo e, mais uma vez, descumprido”, relatou.

Entrega do primeiro bloco deve ocorrer em abril — Foto: Arquivo/Secom
Entrega do primeiro bloco deve ocorrer em abril — Foto: Arquivo/Secom

Previsão para abril

Conforme a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), a expectativa é que a entrega da primeira etapa do hospital ocorra até 30 abril deste ano. A definição da data foi um dos encaminhamentos da reunião.

Outro encaminhamento foi realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores quando no dia em que a obra for entregue.

A obra teve investimento de mais de R$ 5 milhões e, conforme o secretário de Obras Públicas, Ítalo Lopes, ao site da Aleac, parte dos atrasos esteve ligada à aquisição de dutos e equipamentos de ventilação que são produzidos fora do estado.

“Até o final de março a gestão da saúde começa a retornar para o prédio para reorganização interna, e até o final de abril o primeiro bloco estará disponível para atendimento à população”, prometeu.

Ainda segundo ele, seria mais viável uma nova construção do que a reforma do hospital. “Quando o recurso vem para reforma, eu não posso simplesmente devolver ao Ministério da Saúde. Reformar hospital em funcionamento é um dos cenários mais complexos da administração pública”, destacou.

O secretário destacou que a obra será concluída por etapa. “Não é interessante para ninguém manter uma obra indefinida. Estamos trabalhando para entregar essa etapa e reorganizar o restante da estrutura”, argumentou.

Ao g1, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) disse que cuida da parte assistencial do hospital e afirmou que, durante as obras, os atendimentos estão sendo feitos em um hospital provisório.

Moradores fecham trecho da BR-364 durante protesto por reforma do Hospital Geral de Feijó

Polêmicas no Hospital de Feijó

À época do protesto, os moradores denunciariam que, além da demora na reforma do hospital, uma suposta negligência médicas e problemas estruturais que dificultavam o atendimento.

Em janeiro de 2024, a família de Maria Daiane Souza da Silva, de 25 anos, acusou uma equipe médica da maternidade do Hospital de Feijó de negligência após ela morrer. A mulher foi submetida a uma cesariana para retirada do 3º filho, teve hemorragia e uma parada cardíaca na madrugada e não resistiu.

Outra família enlutada acusou o Hospital de negligência devido a morte de Diogo Silva Albuquerque, de 12 anos, no dia 19 de maio de 2025. Ele morreu de sepse associada a celulite por conta de um ferimento na perna. A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) disse que não houve omissão ou demora no atendimento.

Já em fevereiro de 2024, o Ministério Público do Acre (MP-AC) chegou a abrir um procedimento administrativo para apurar se houve falha do Hospital de Feijó, por ter se negado a realizar um aborto em gestante de feto anencéfalo (sem cérebro).

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