sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

Mailza e Bocalom: o divórcio anunciado que pode redefinir 2026

Eliton Muniz - Free Lancer - Cidade AC News

📍 Rio Branco – AC | 27 de setembro de 2025 | Atualizado há 4h

A declaração que acendeu o estopim

Diplomática na forma, mas letal no conteúdo, a vice-governadora do Acre, Mailza Assis, afirmou em entrevista que não está rompendo politicamente com o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Mas ao cravar que “se ele for candidato, ele que estará rompendo a aliança”, Mailza transferiu para o prefeito a responsabilidade pelo racha. Em linguagem política, foi um recado claro: sua candidatura ao governo do estado em 2026 é definitiva, independente dos movimentos do aliado.

Essa afirmação desmonta a narrativa de unidade que, até então, sustentava a aliança entre o grupo estadual e o municipal. Mais que isso, abre uma fissura com potencial de se transformar em fratura exposta na eleição majoritária.


O cálculo político de Mailza

Ao posicionar-se como candidata irreversível, Mailza dá dois sinais. Primeiro, para dentro do grupo, mostra que não será coadjuvante em um projeto liderado por Bocalom. Segundo, para o eleitorado, reforça a imagem de firmeza, mesmo correndo o risco de ser acusada de dividir o campo conservador.

Mailza tem consciência de que representa um ativo importante: a possibilidade de ser a primeira mulher a comandar o governo do Acre nesse ciclo político. Soma a isso sua base evangélica, o discurso conservador moderado e a lealdade demonstrada ao governador Gladson Cameli nos últimos anos. Com esse tripé, ela acredita ter densidade para competir em um cenário polarizado.


O dilema de Bocalom

Já Tião Bocalom enfrenta um dilema. Prefeito de Rio Branco, construiu sua imagem em cima do discurso da austeridade e de gestão voltada para a moralidade e a agricultura. Seu eleitorado fiel, principalmente o evangélico, continua relevante. Mas o salto para a disputa estadual é arriscado.

Se insistir em lançar candidatura ao governo, arrisca implodir a aliança que lhe deu sustentação e abrir caminho para que a oposição capitalize a divisão. Se recuar, corre o risco de ser visto como político local, incapaz de transformar capital eleitoral em protagonismo estadual. É a escolha entre virar coadjuvante ou assumir o papel de vilão do racha.


A leitura dos bastidores

Nos bastidores, o clima é de ruptura consumada, ainda que não oficializada. O grupo de Mailza já não se articula junto ao de Bocalom com a mesma sintonia. A vice-governadora prepara sua pré-campanha de forma independente, consolidando apoios regionais e buscando atrair lideranças que não se sentem contempladas no projeto do prefeito.

Enquanto isso, aliados de Bocalom minimizam o atrito em público, mas reconhecem em privado que a divisão é quase inevitável. A disputa é, no fundo, pela hegemonia dentro do campo conservador que domina a política acreana desde 2018.


O risco para o campo governista

Do ponto de vista eleitoral, a fragmentação pode ser desastrosa. Dois candidatos competitivos no mesmo campo ideológico dividirão votos, reduzirão tempo de TV e dificultarão a montagem de chapas proporcionais. Quem se beneficia, de imediato, é a oposição, que poderá explorar a narrativa de desunião e apresentar-se como alternativa coesa diante do eleitorado.

Esse cenário é particularmente grave em um estado como o Acre, onde as eleições costumam ser decididas por margens apertadas e onde a máquina pública tem papel determinante na coordenação de apoios.


Editorial — a verdade nua e crua

Mailza pode insistir no tom diplomático, mas sua frase já selou o destino da aliança. Bocalom pode tentar contornar, mas não há narrativa capaz de esconder o óbvio: o casamento político acabou. Em 2026, ou um recua, ou ambos se destroem.

A diferença entre eles é que Mailza aposta na novidade, na força simbólica de ser a primeira mulher a governar o Acre, na lealdade ao governador e no discurso de equilíbrio. Já Bocalom representa a continuidade de uma gestão local que, embora tenha base fiel, carrega desgastes e limitações.

O eleitor acreano vai assistir a uma disputa fratricida, em que dois líderes do mesmo campo ideológico se enfrentarão pela coroa do Palácio Rio Branco. Não se trata apenas de projeto de poder, mas de sobrevivência política.

👉 No fim, a história será implacável: alianças não morrem com discursos diplomáticos, morrem com a faca das ambições. E nesse divórcio, alguém sairá fortalecido — e alguém sairá reduzido a nota de rodapé.

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