terça-feira, 17 março, 2026

Léo Índio, réu por 8/1, diz que está na Argentina, e Moraes cobra explicações

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (UOL/FOLHAPRESS) – Réu acusado de golpe de Estado por causa dos ataques aos Três Poderes e com o passaporte apreendido, Léo Índio anunciou ontem que está na Argentina. A defesa do primo dos três filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), então, foi intimada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a dar explicações.

 

Leonardo Rodrigues de Jesus virou réu em 5 de março acusado de crimes relacionados aos ataques do 8 de Janeiro, como golpe de Estado e associação criminosa armada. Ainda em janeiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão e cancelamento de seus passaportes.

Léo Índio foi embora do país nos últimos dias. Ele vivia no sudoeste do Paraná, perto da fronteira com a Argentina –os países do Mercosul só exigem identidade para se cruzar a fronteira.

Em vídeo divulgado na quarta-feira (26), ele aparece ao lado de um corretor condenado pelo STF. Gilberto Ackerman está foragido na Argentina desde abril de 2024, como mostrou o UOL.

A ordem de Moraes não proíbe expressamente o réu de sair do país, e não há mandado de prisão contra ele. No entanto, um juiz criminal consultado pelo UOL entende que essa proibição estava implícita quando Moraes mandou apreender seus passaportes. De toda a forma, ele entende que, nos próximos dias, o STF vai ordenar um mandado de prisão, momento em que Léo Índio seria considerado fugitivo ou foragido.

Após a divulgação do caso, Moraes determinou que a defesa se explique em até 48 horas. “Intimem-se os advogados regularmente constituídos por Leonardo Rodrigues de Jesus para que prestem esclarecimentos, no prazo de 48 horas, sobre as notícias de que o réu teria se evadido do país.”

A defesa de Léo Índio disse ao UOL que só pode comentar o caso ao final do dia. No processo, os advogados dele negaram todos os crimes apontados na denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República). Eles sustentam que o réu “não financiou ou patrocinou” os ataques para um golpe de Estado, como demonstrou a quebra de sigilo bancário do sobrinho do presidente.

“O acusado, Leonardo Rodrigues de Jesus, em 8 de janeiro de 2023, não adentrou os prédios públicos vandalizados e, por conseguinte, não os vandalizou”, disseram os advogados dele, Rafael Castro Alves e Clarice Pereira.

A PGR sustenta que Léo Índio tinha intenção criminosa ao participar dos movimentos. Ele mesmo divulgou uma fotografia sua em que aparece na rampa do Congresso Nacional, do lado de fora. Para exemplificar, o Ministério Público relata conversas dele com interlocutores defendendo uma bomba no Supremo.

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