quinta-feira, 29 janeiro, 2026

Bolsonaro solicita apoio internacional contra suposta ditadura em entrevista ao Financial Times

Bolsonaro

A poucos dias de um julgamento crucial no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro fez um apelo por “apoio do exterior” em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada nesta terça-feira, 25 de março de 2025. Acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de envolvimento em uma trama golpista após as eleições de 2022, ele afirmou que o Brasil enfrenta uma “ditadura real” e não conseguiria superar a situação atual sem ajuda externa. A declaração ocorre em um momento de alta tensão política, com o STF analisando denúncias que podem levar Bolsonaro a uma pena de até 43 anos de prisão, caso condenado. Na entrevista, ele também agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por decisões que, segundo ele, beneficiam a soberania brasileira, e criticou o ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de perseguição.

Bolsonaro acompanha de perto o julgamento da denúncia apresentada pela PGR, que o aponta como líder de uma organização criminosa voltada a subverter o Estado Democrático de Direito. O processo, que tramita na Primeira Turma do STF, envolve outros 33 acusados e é resultado de investigações sobre os eventos que culminaram nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília. A decisão sobre a aceitação ou rejeição da denúncia está marcada para esta terça-feira, com a participação dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino no colegiado.

O ex-presidente, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não detalhou que tipo de apoio externo espera receber. Ele mencionou, contudo, que a “ajuda americana é muito bem-vinda”, sugerindo uma possível expectativa de intervenção ou pressão diplomática por parte do governo de Donald Trump. A entrevista ao Financial Times reacende debates sobre a polarização política no Brasil e o papel de aliados internacionais na crise que envolve o ex-mandatário.

  • Alegações de ditadura: Bolsonaro classificou o cenário brasileiro como uma “ditadura real”, sem apresentar provas específicas.
  • Críticas ao STF: Ele acusou Alexandre de Moraes de já ter uma sentença pronta, prevendo 28 anos de prisão.
  • Apelo aos EUA: O ex-presidente elogiou Trump por encerrar a USAID, vista por ele como interferência externa.

Contexto do julgamento no STF

O julgamento desta terça-feira no STF marca um ponto de inflexão nas investigações contra Jair Bolsonaro. A denúncia da PGR, apresentada em fevereiro de 2025, acusa o ex-presidente de cinco crimes, incluindo abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. O documento, com 272 páginas, detalha um plano que envolvia desacreditar o sistema eleitoral, pressionar militares para aderir ao golpe e incitar apoiadores a atos de insurreição. Um dos pontos mais graves é a suposta ciência de Bolsonaro sobre um plano apelidado de “Punhal Verde Amarelo”, que incluía assassinatos de figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes.

A investigação começou após as eleições de 2022, vencidas por Lula, quando Bolsonaro se recusou a reconhecer o resultado e passou a questionar a legitimidade das urnas eletrônicas. Relatórios da Polícia Federal (PF) apontam que o ex-presidente teria participado de reuniões com militares e aliados para discutir medidas que impedissem a posse de Lula, incluindo a decretação de um estado de defesa que daria uma aparência de legalidade à ação. A PF também prendeu, na semana passada, um condenado por furtar a Constituição original durante os atos de 8 de janeiro, reforçando a conexão entre os eventos e a suposta trama golpista.

A Primeira Turma do STF, responsável pelo julgamento, reúne nomes de peso. Alexandre de Moraes, relator do caso, é alvo constante de ataques de Bolsonaro e seus apoiadores. Cristiano Zanin e Flávio Dino, indicados por Lula, completam o colegiado ao lado de outros ministros. A expectativa é que a denúncia seja aceita, transformando Bolsonaro e os demais acusados em réus, o que abriria caminho para um longo processo judicial.

Repercussão internacional do apelo

A entrevista ao Financial Times rapidamente ganhou destaque na imprensa global. Jornais como The Guardian e The New York Times repercutiram as declarações de Bolsonaro, destacando o contraste entre sua situação e a de Donald Trump, que enfrentou acusações semelhantes nos Estados Unidos, mas teve o caso arquivado após retornar ao poder. No Brasil, o ex-presidente vive um momento de fragilidade política, com aliados demonstrando apoio morno e parte da bancada do PL, seu partido, considerando alternativas para as eleições de 2026, como os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Bolsonaro já havia sinalizado em entrevistas anteriores, como uma ao The Wall Street Journal em novembro de 2024, que contava com Trump para pressionar o governo Lula por meio de sanções econômicas. Na ocasião, ele sugeriu que tais medidas poderiam ajudá-lo a reverter a inelegibilidade e voltar ao poder. Embora Trump não tenha respondido publicamente, fontes próximas ao governo americano indicam que ele estaria aberto a usar tarifas comerciais contra países que considera envolvidos em “guerra jurídica de esquerda”, um termo que ecoa as críticas de Bolsonaro ao STF.

O apelo por apoio externo não é novidade na retórica do ex-presidente. Em 2019, ele propôs explorar a Amazônia em parceria com os Estados Unidos, alegando que o Brasil “perderia” a região sem ajuda externa. Agora, a narrativa se volta para a política interna, com Bolsonaro comparando o Brasil à Venezuela e sugerindo que a democracia está em risco sob o governo Lula.

Cronologia dos eventos recentes

A trajetória de Bolsonaro desde o fim de seu mandato é marcada por reviravoltas judiciais e políticas. Confira os principais momentos:

  • Outubro de 2022: Lula vence as eleições, e Bolsonaro não reconhece o resultado.
  • Janeiro de 2023: Apoiadores invadem os Três Poderes em Brasília, em atos investigados como parte de uma trama golpista.
  • Junho de 2023: TSE torna Bolsonaro inelegível até 2030 por ataques ao sistema eleitoral.
  • Fevereiro de 2025: PGR denuncia Bolsonaro e 33 aliados por tentativa de golpe.
  • Março de 2025: STF julga a denúncia, com decisão prevista para o dia 25.

Acusações e possíveis consequências

As acusações contra Bolsonaro são graves e podem redefinir o cenário político brasileiro. A PGR sustenta que ele era o principal articulador de um plano para manter-se no poder após a derrota eleitoral. Entre as evidências estão gravações de reuniões, depoimentos de militares e documentos que detalham a redação de um decreto golpista. O suposto plano “Punhal Verde Amarelo” incluiria assassinatos de autoridades, um elemento que chocou até mesmo os críticos mais ferrenhos do ex-presidente.

Se condenado, Bolsonaro pode enfrentar uma pena que varia entre 38 e 43 anos de prisão, segundo especialistas. A defesa, por sua vez, alega que as provas foram obtidas de forma irregular e que o prazo para manifestação foi insuficiente. Advogados do ex-presidente também questionam a imparcialidade de Alexandre de Moraes, apontado como inimigo político de Bolsonaro desde os embates durante a pandemia de Covid-19.

A tensão em torno do julgamento mobilizou apoiadores do ex-presidente, que planejam atos em Brasília. A Polícia Militar do Distrito Federal reforçou a segurança na Esplanada dos Ministérios, temendo uma repetição dos eventos de 8 de janeiro. Enquanto isso, o governo Lula monitora a situação, mas evita comentários diretos sobre o processo.

Reações no Brasil e no exterior

No Brasil, a entrevista ao Financial Times gerou reações imediatas. Parlamentares do PT e de partidos de esquerda classificaram o apelo de Bolsonaro como um ato de desespero e uma tentativa de internacionalizar uma crise doméstica. Já aliados do ex-presidente, como deputados do PL, usaram redes sociais para criticar o STF e reiterar apoio, embora sem o entusiasmo de outrora. A divisão na base bolsonarista é evidente, com cerca de 25% dos deputados do partido se manifestando contra o indiciamento, enquanto outros 46% optaram por mensagens genéricas de solidariedade.

Fora do país, a imprensa internacional vê o caso como um teste para a democracia brasileira. O The Guardian destacou a gravidade das acusações envolvendo assassinatos, enquanto o Financial Times, que publicou a entrevista, enfatizou a aliança de Bolsonaro com Trump. Analistas apontam que o apelo por ajuda externa pode ser uma estratégia para pressionar o STF e mobilizar sua base, mas também reflete o isolamento político do ex-presidente.

Detalhes da entrevista ao Financial Times

Na conversa com o jornal britânico, Bolsonaro não se limitou a pedir apoio internacional. Ele voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, repetindo alegações sem provas de que as urnas eletrônicas foram fraudadas em 2022. Também criticou a atuação do STF durante seu mandato, afirmando que Moraes agiu com “pressa” para condená-lo. “Eles não me querem na cadeia, me querem morto”, declarou, elevando o tom das acusações contra o Judiciário.

O ex-presidente elogiou Trump por encerrar a USAID, uma agência que, em sua visão, interferia na soberania do Brasil ao financiar projetos de desenvolvimento. Ele não especificou como a “ajuda americana” poderia se materializar, mas o tom sugere uma aposta em pressões diplomáticas ou econômicas contra o governo Lula. A entrevista foi conduzida dias antes do julgamento, indicando uma tentativa de influenciar o debate público às vésperas da decisão do STF.

Bolsonaro também abordou sua situação pessoal, dizendo que teme por sua vida e que o processo judicial é uma forma de silenciá-lo politicamente. A narrativa de vitimização é recorrente em sua estratégia desde que deixou o Palácio do Planalto, mas o apelo ao exterior marca uma escalada em seus esforços para se manter relevante.

Impactos políticos no horizonte

O julgamento no STF e as declarações de Bolsonaro têm implicações de longo alcance. Caso a denúncia seja aceita, o processo pode se estender por meses ou até anos, mantendo o ex-presidente no centro das atenções. Isso poderia aprofundar a polarização no Brasil, especialmente com as eleições municipais de 2026 no horizonte. Governadores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, vistos como possíveis sucessores de Bolsonaro na liderança da direita, acompanham o desenrolar do caso com interesse.

A base bolsonarista, embora enfraquecida, ainda mantém influência. Durante as eleições municipais de 2024, Bolsonaro enfrentou críticas por mudanças de apoio em cidades como São Paulo e Curitiba, o que gerou insatisfação entre parlamentares do PL. Agora, o apelo por ajuda externa pode ser uma tentativa de reacender o apoio de seus seguidores mais fiéis, que veem nele um símbolo de resistência contra o governo Lula.

No cenário internacional, a relação com os Estados Unidos ganha destaque. Trump, que reassumiu a presidência em 2025, é um aliado ideológico de Bolsonaro, mas não há indícios concretos de que atenderá ao pedido de ajuda. Especialistas acreditam que qualquer ação americana seria limitada a gestos simbólicos, como declarações de apoio, devido às implicações de interferir em assuntos internos de outro país.

Principais pontos levantados por Bolsonaro

A entrevista ao Financial Times trouxe à tona temas centrais da narrativa do ex-presidente. Veja os destaques:

  • Suposta ditadura: Bolsonaro afirma que o Brasil vive uma crise democrática sob Lula.
  • Apoio dos EUA: Ele sugere que Trump poderia desempenhar um papel na “salvação” do país.
  • Perseguição judicial: Acusa o STF, especialmente Moraes, de querer eliminá-lo politicamente ou fisicamente.
  • Eleições de 2022: Reforça, sem evidências, que houve fraude no pleito que elegeu Lula.

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