segunda-feira, 23 março, 2026

Secretaria de Educação amplia atendimentos de saúde bucal em Cruzeiro do Sul e beneficia mais de 4 mil alunos em 2025

A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), por meio da Representação em Cruzeiro do Sul, realizou na última sexta-feira, 20, uma ação...
Eliton Muniz

Análise da Semana com Eliton Muniz

Leitura estratégica do cenário político e econômico do Acre.

“Nos últimos dias, a política do Acre não foi marcada por decisões — foi marcada por movimentos que simulam decisão, enquanto o que realmente define o jogo segue sendo ajustado fora do alcance do debate público.”

Frase da Semana

Quando tudo vira urgente, o que realmente importa desaparece Nos últimos dias, o Acre não viveu uma crise — viveu uma distorção. Movimentações políticas rotineiras passaram a ser tratadas como eventos críticos, deslocando o foco do que de fato altera a estrutura do Estado. Declarações, articulações e reposicionamentos foram elevados ao status de urgência, criando um ambiente onde percepção substitui realidade. Esse padrão não é novo. Ele se repete sempre que o debate público perde hierarquia. Quando tudo ganha peso de crise, a capacidade de distinguir o que é estrutural do que é apenas tático desaparece. E é nesse ponto que o jogo muda: não porque algo relevante aconteceu, mas porque a leitura coletiva foi desorganizada. O agente aqui não é um único ator. É a combinação entre interesses políticos, amplificação de narrativas e uma dinâmica de comunicação que recompensa o barulho em detrimento da precisão. O resultado é previsível: a sociedade reage ao ruído, enquanto os movimentos realmente decisivos passam sem o devido escrutínio.

- Eliton Muniz

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Eliton Muniz

Diretor e Editor

Eliton Lobato Muniz é comunicador e analista de contexto, editor do Cidade AC News e criador do canal O Ton da Conversa.

Elos com Vorcaro pressionam Toffoli no STF; entenda suspeitas

O ministro Dias Toffoli durante sessão no STF – Pedro Ladeira – 12.mar.26/Folhapress

  • Ministro foi sócio de fundo ligado a operador financeiro de dono do Master

  • OUTRO LADO: Toffoli afirma que ‘jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel’

Por Lucas Marchesini | Folha de São Paulo

Brasília
Os questionamentos sobre as conexões do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, crescem desde que a primeira relação entre os dois foi revelada pela Folha, em janeiro, e podem ser respondidos ao longo da investigação da Polícia Federal sobre o caso.

O ministro não é investigado pela PF —isso só poderia ocorrer com autorização do próprio Supremo—, mas, como mostrou a Folha, investigadores suspeitam de crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, do qual a família do magistrado é ex-sócio, e avançam na apuração.

A PF elaborou um relatório de 200 páginas sobre as relações de Toffoli e Vorcaro e entregou o documento ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro. Os achados da PF não foram suficientes para Fachin autorizar uma investigação contra o ministro, mas provocaram a saída de Toffoli da relatoria do caso, que passou para o ministro André Mendonça. Agora, qualquer avanço nas investigações contra Toffoli dependerá de decisões de Mendonça.

Nesse relatório, a PF incluiu diálogos entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel no qual discutem pagamentos para Toffoli. Neles, há indicações de que o ex-banqueiro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao ministro.

A primeira conexão entre Toffoli e Vorcaro surgiu em reportagem da Folha em 11 de janeiro mostrando que um resort no interior do Paraná, o Tayayá, teve como sócios uma empresa de dois irmãos do ministro e um fundo que faz parte da rede fraudulenta atribuída ao Banco Master.

Na época, atos de Toffoli à frente do caso causavam estranhamento nos órgãos que investigam o caso. O magistrado convocou em dezembro uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do BC (Banco Central) Ailton de Aquino.

A medida colocava Aquino como um dos investigados, seguindo a linha de defesa de Vorcaro à época, de que a autoridade monetária tinha se precipitado ao decretar a liquidação do Master, em novembro.

Diante da repercussão, o ministro mudou a solicitação para depoimentos individuais, que ocorreram em 30 de dezembro —enquanto estava hospedado no resort Tayayá.

A parceria no resort localizado em Rio Claro (PR) começou em setembro 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões.

O Arleen integra uma extensa cadeia de fundos utilizados pelo Master, de acordo com as investigações da PF e do Banco Central. O controlador do fundo é Fabiano Zettel, pastor e operador financeiro de Vorcaro, através de outro fundo, o Leal.

O cunhado de Vorcaro aplicou R$ 26 milhões no fundo Leal no segundo semestre de 2022.

A Maridt deixou a sociedade nas empresas que compõem o grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando o restante de sua participação foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.

Barbosa é um advogado goiano que atuou diversas vezes para a JBS, empresa do grupo J&F. Quando ele comprou a participação do Arleen no Tayayá, o fundo não pertencia mais a Zettel, mas sim a Alberto Leite, empresário amigo de Toffoli que manteve as cotas do fundo por menos de um ano.

Na época da revelação da Folha, o ministro Dias Toffoli não disse que também era sócio da Maridt. Ele só fez a revelação em 12 de fevereiro, após a PF produzir um relatório sobre as relações entre Toffoli e Vorcaro.

Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel, por mensagem de WhatsApp, qual era a situação dos repasses. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro.

O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.

Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.

Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a tratar das cobranças com o cunhado. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro.

Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.

Vorcaro se irritou. “Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.

Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. O cunhado, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

Em nota enviada por Toffoli quando o relatório da PF veio a público, o ministro disse que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro” e que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

A Maridit, afirma Toffoli em nota enviada nesta sexta (20), é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal.

“Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas”, afirmou.

“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro”, acrescentou, o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura.

Sobre as vendas de participações no Tayayá para o fundo Arleen e para Paulo Humberto, Toffoli afirmou que “tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado”.

A defesa de Daniel Vorcaro não quis se pronunciar.

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