Publicado em 14/03/2026
Foto: Val Fernandes/Assecom
O passageiro que abrir as redes sociais antes de sair de casa amanhã encontrará um cenário de incertezas. A partir deste sábado (14), o mapa de Rio Branco encolhe: 31 linhas de ônibus — as artérias que ligam o centro a bairros como Santa Inês, Floresta e a isolada Transacreana — deixarão de circular. O anúncio, feito pela Ricco Transportes via Instagram, não pegou apenas os usuários de surpresa, mas também os próprios motoristas que operam o sistema.
O Abismo da Comunicação
Enquanto a empresa alega um “desequilíbrio econômico-financeiro” para justificar o corte drástico, o SINTTPAC (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte) denuncia um vácuo de diálogo. O presidente da entidade, Antônio Neto, relata um cenário de portas fechadas:
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Informalidade: A categoria soube da paralisação pelos mesmos posts de redes sociais que o público geral.
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Silêncio na Sede: Tentativas de contato direto e visitas presenciais à empresa não resultaram em retorno da diretoria.
“A gente já está com o nosso jurista e vamos aguardar até o final da tarde para ver se a empresa chama para alguma conversa. Caso não tenha acordo, vamos buscar judicialmente o direito do trabalhador, inclusive pedindo o bloqueio dos carros”, afirmou Neto.
O Impacto no Ponto de Ônibus
Para o leitor, a “equação financeira” da empresa se traduz em termos práticos e dolorosos: mais tempo de espera, mais gastos com transporte alternativo ou a impossibilidade de deslocamento. Itinerários cruciais, como os do Belo Jardim, Panorama e Irineu Serra, estão na lista de corte, deixando milhares de famílias à mercê de uma solução que parece longe de um consenso entre empresa, trabalhadores e o poder público.
Até o fechamento desta edição, não houve sinal de negociação. O que resta é o aviso seco da concessionária: “verifiquem se suas linhas foram afetadas”. Para Rio Branco, o sábado promete ser de ruas silenciosas e pontos de ônibus lotados de frustração.




