sábado, 7 março, 2026

Quadrilha Matutos na Roça escolhe tema sobre violência contra a mulher para temporada junina de 2026

A Quadrilha Junina Matutos na Roça, do bairro Aeroporto Velho, em Rio Branco (AC), levará para a temporada junina de 2026 o tema “Hoje eu recebi flores”. O enredo, já anunciado pelo grupo, ganha destaque por abordar um debate sensível e urgente sobre a violência contra a mulher, utilizando a tradição das quadrilhas para provocar reflexão e conscientização do público.

A proposta do grupo é transformar a tradicional apresentação junina em um momento de reflexão. Por meio da dança, da encenação e da narrativa construída no espetáculo, a quadrilha pretende alertar sobre os sinais da violência doméstica e reforçar a importância do respeito e da proteção às mulheres.

Segundo a organização da quadrilha, a ideia é que o público se emocione, mas também reflita sobre a realidade vivida por muitas mulheres. O tema escolhido busca mostrar que, por trás de histórias aparentemente comuns, podem existir situações de sofrimento que precisam ser denunciadas e combatidas.

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A escolha do enredo dialoga diretamente com o cenário recente da violência contra mulheres no estado. Um levantamento nacional divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que o Acre registrou, em 2025, a maior taxa de feminicídios do Brasil, com 3,2 mortes para cada 100 mil mulheres. O estado aparece à frente de Rondônia, com taxa de 2,9, e Mato Grosso do Sul, com 2,7.

Segundo a organização da quadrilha, a ideia é que o público se emocione, mas também reflita sobre a realidade vivida por muitas mulheres

Segundo a organização da quadrilha, a ideia é que o público se emocione, mas também reflita sobre a realidade vivida por muitas mulheres/Foto: Divulgação

Em números absolutos, 14 mulheres foram vítimas de feminicídio no Acre em 2025, segundo o relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil. O número representa um aumento expressivo em relação a 2024, quando foram registrados oito casos. A alta foi de 74,3% em apenas um ano, uma das maiores variações observadas no país.

A série histórica apresentada no estudo mostra que o estado tem registrado oscilações nos últimos anos, mas com tendência recente de crescimento nos casos. Em 2021 foram registrados 12 feminicídios, em 2022 foram 9, em 2023 houve 10 casos, em 2024 o número caiu para 8 e voltou a subir em 2025, com 14 ocorrências.

Em relação à taxa proporcional à população feminina, o índice acreano praticamente dobrou em um ano. O estado saiu de 1,8 feminicídio por 100 mil mulheres em 2024 para 3,2 em 2025, número que ficou mais que o dobro da média nacional, estimada em 1,43 por 100 mil mulheres no mesmo período.

Diante desse contexto, a Matutos na Roça aposta na força da cultura popular para ampliar o debate sobre o tema. A quadrilha pretende utilizar o espetáculo junino como instrumento de conscientização, reforçando que a arte também pode ser um espaço de informação, denúncia e valorização da vida.

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