Coluna do Ton –
O investimento no futebol acreano reacende debate sobre gestão do esporte, arquibancadas vazias e o papel da Secretaria de Esporte no Acre.

O futebol acreano deve receber R$ 2 milhões de investimento público para a temporada de 2026. O recurso foi autorizado pela Assembleia Legislativa e será repassado aos clubes por meio da Federação de Futebol do Acre.
No discurso institucional, trata-se de incentivo ao esporte, inclusão social e fortalecimento cultural.
Isso faz parte da narrativa oficial.
Mas existe uma camada que quase nunca entra no debate público: a estrutura de gestão do esporte no Estado.
Durante muito tempo, o esporte acreano esteve subordinado à Secretaria de Educação, funcionando como uma espécie de departamento dentro de uma estrutura maior. Não era uma secretaria com protagonismo próprio, orçamento estratégico ou política esportiva estruturada.
Nos últimos anos, o governador Gladson Cameli decidiu reposicionar essa área e deu ao Ney Amorim a função de secretário extraordinário de Esporte.
Na prática, o movimento parecia indicar uma tentativa de dar mais visibilidade à pauta esportiva.
O problema é que, até agora, a mudança parece mais simbólica do que estrutural.
Porque criar o título de secretário é apenas o primeiro passo.
O que define uma política pública é outra coisa:
-
planejamento esportivo
-
calendário organizado
-
estrutura funcionando
-
participação do público
E é aqui que o futebol acreano continua enfrentando dificuldades.
O Estado anuncia recursos, os clubes recebem apoio, mas o campeonato ainda convive com um problema básico: arquibancadas vazias.
Sem estádio cheio, o futebol perde atmosfera.
Sem atmosfera, perde interesse.
Sem interesse, perde sustentabilidade.
É por isso que o debate sobre os R$ 2 milhões precisa ir além do anúncio.
A pergunta central não é apenas quanto dinheiro entra no futebol.
A pergunta é qual é o projeto para o esporte no Acre.
Se a Secretaria de Esporte existe apenas no nome, o futebol continuará sobrevivendo de aportes pontuais.
Mas se a secretaria assumir de fato uma função estratégica, o investimento pode virar política pública — e não apenas apoio eventual.
No fim das contas, o torcedor percebe rapidamente a diferença.
Porque futebol de verdade não se sustenta apenas com decreto.
Ele precisa de gestão, planejamento e arquibancada viva.
Coluna do Ton | Cidade AC News
Por Eliton Muniz
Análise & Contexto
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