De acordo com a investigação, o funcionário encarregado da manutenção da piscina era um manobrista, sem licença ou capacitação técnica. “Ele não exercia essa função. Em tese, era motorista e responsável pelo estacionamento e, mesmo assim, foi incumbido da administração dos produtos químicos”, disse o delegado.
Em depoimento, o funcionário afirmou que seguia ordens de um superior. “O relato inicial dele é no sentido de que havia uma pessoa acima na hierarquia do estabelecimento que indicava as formas e as quantidades que esses produtos deveriam ser ministrados”, explicou Rezende. Segundo o delegado, essa pessoa ainda não compareceu à delegacia. “Infelizmente, ela ainda não apresentou a sua versão dos fatos.”
A polícia apura se a mistura dos produtos, em ambiente fechado e com pouca ventilação, provocou a liberação de gases tóxicos. “Muito provavelmente, a produção de gases oriundos dessa mistura foi o que causou a intoxicação dessas pessoas”, afirmou o delegado, ressaltando que os laudos periciais ainda são aguardados.
Sobre os responsáveis pela academia, Rezende afirmou que a colaboração, até o momento, é inexistente. “Não posso afirmar que os donos estão colaborando. Havia uma expectativa de que comparecessem ontem e hoje, o que não aconteceu”, disse. Segundo ele, a polícia já avalia medidas jurídicas. “Estamos analisando eventuais providências para tentar sanar essa situação.”
O delegado ressaltou que outras pessoas podem ser responsabilizadas. “Não só o funcionário, mas qualquer pessoa relacionada à administração da academia que tenha contribuído para a produção do resultado pode responder”, afirmou.
O manobrista já se apresentou à polícia, acompanhado de advogada, e alegou que apenas cumpria ordens. “Ele se coloca como um funcionário que estava cumprindo determinações superiores”, disse Rezende, ponderando que a versão ainda será checada ao longo da investigação.
A academia foi interditada preventivamente pela Prefeitura de São Paulo, que também iniciou processo de cassação da licença de funcionamento. Os exames periciais e o laudo necroscópico devem esclarecer a causa da morte da professora e o tipo de substância envolvida.