domingo, 15 março, 2026

Ribeirinhos do Acre se unem contra o sarampo com saberes populares e ação comunitária

Cidade AC News – Adm. Eliton Muniz

Comunidades ribeirinhas do Acre intensificam ações culturais de prevenção contra o sarampo após surto na Bolívia. Lideranças indígenas e agentes comunitários orientam a população.

Surto vizinho desperta reação comunitária nos rios do Acre

O avanço do surto de sarampo na Bolívia provocou reações imediatas não só nas autoridades de saúde do Acre, mas também dentro das comunidades ribeirinhas e indígenas que habitam a zona de fronteira. De forma espontânea e com apoio técnico de agentes de saúde, moradores das regiões dos rios Acre, Purus e Yaco passaram a organizar rodas de conversa, palestras e mutirões para discutir prevenção e vacinação.

Nas comunidades do Alto Rio Iaco, em Sena Madureira, e na Reserva Extrativista Chico Mendes, líderes locais convocaram reuniões tradicionais, onde se discutiram formas de proteger crianças e idosos, públicos mais vulneráveis à doença. “Aqui, a gente se cuida com diálogo e união. Sabemos que a doença vem pelo vento, mas a vacina segura o corpo”, disse seu Raimundo Nonato, morador da comunidade Santa Clara.

Saberes tradicionais somam forças à ciência na luta contra o sarampo

Os agentes de saúde que atuam em áreas remotas relataram que a aceitação da vacina aumentou após o início das ações de conscientização feitas em linguagem local, com apoio de pajés, parteiras e professores comunitários. “Antes, a gente precisava convencer. Agora, as mães chamam a gente para vacinar logo. O medo chegou, mas a informação também chegou”, relatou Maria Lúcia Alencar, técnica de enfermagem da região do Alto Envira.

Materiais informativos estão sendo traduzidos para o idioma Huni Kuin e distribuídos em aldeias indígenas da TI Kaxinawá e Puyanawa. O material explica sintomas, formas de transmissão e importância da segunda dose, geralmente negligenciada por populações isoladas.

Barreiras geográficas desafiam ações públicas, mas comunidade reage com criatividade

Apesar da logística desafiadora — rios cheios, falta de embarcações e longas distâncias — as comunidades se organizaram para levar grupos até os pontos de vacinação. Em alguns casos, moradores usam seus próprios barcos e combustível para ajudar famílias vizinhas a chegarem aos postos.

“A gente não espera o governo. Aqui é união. A doença não escolhe se é branco, indígena ou caboclo. Por isso, temos que agir juntos”, disse a artesã Irene Kampa, da comunidade Porto Rubim, na fronteira entre Assis Brasil e Cobija.

Cultura de prevenção pode deixar legado permanente

A Secretaria de Estado de Cultura e Educação Indígena informou que, a partir de julho, ações culturais de prevenção à saúde serão integradas aos projetos escolares nas escolas ribeirinhas e aldeadas. A ideia é que temas como vacinação, higiene e nutrição ganhem espaço em peças teatrais, cantigas e artes visuais feitas pelos próprios estudantes.

“Essa crise pode se tornar uma oportunidade para gerar consciência duradoura sobre saúde preventiva”, afirmou o coordenador do Programa Escola Ribeirinha Viva, Carlos Lameira.

Mais Lidas

Sead promove capacitações para qualificação dos servidores estaduais

Com o objetivo de ampliar a qualificação profissional e...

Prefeitura de Cruzeiro do Sul usa 60 toneladas de asfalto na sexta-feira e sábado na operação tapa-buracos

Neste sábado,14, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul,...

Prefeitura de Cruzeiro do Sul lança 6ª edição da Feira do Peixe no Mercado João Machado

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio...

Operação ambiental aplica mais de R$ 3 milhões em multas por desmatamento no Acre

Uma força-tarefa ambiental realizada no Acre aplicou mais...

Últimas Notícias

Categorias populares

[lbg_audio8_html5_shoutcast settings_id='1']