Dólar e Bolsa caem com tarifaço de Trump em foco

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar apresenta queda nesta segunda-feira (31), em meio às expectativas dos investidores sobre as tarifas recíprocas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

O tarifaço deve ser anunciado na quarta-feira, 2 de abril -o apelidado “dia da libertação”.

Às 12h40, a moeda norte-americana caía 0,44%, cotada a R$ 5,735 na venda, influenciada pela formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo BC (Banco Central) com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

Já a Bolsa despencava 1,28%, aos 130.207 pontos, acompanhando o mau humor de Wall Street.

A política tarifária do governo Trump tem ditado o tom dos mercados globais desde o início do ano. A proximidade do “dia da libertação”, porém, coloca esta semana entre as mais importantes até aqui.

O republicano deve anunciar tarifas recíprocas a “todos os parceiros comerciais” dos Estados Unidos na quarta, segundo afirmou no domingo (30). Até semana passada, havia a expectativa de que o tarifaço fosse direcionado aos países com maiores desequilíbrios comerciais para com os norte-americanos -“os 15 sujos”, como apelidado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

“Começaria com todos os países, então vamos ver o que acontece”, disse Trump aos repórteres a bordo do Air Force One. Ao ser questionado quais seriam afetados, ele disse que não sabia se serão “15 países, 10 ou 15” e garantiu que “não há um limite”.

O tarifaço tem gerado temores nos mercados pelo impacto potencial na economia mundial. O principal receio é que ele aumente a inflação em uma ampla gama de produtos e distorça cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.

Até o momento, após uma série de ameaças e recuos, Trump já implementou uma tarifa de 20% sobre produtos chineses, taxas de 25% sobre importações de aço e alumínio e tarifas de 25% sobre mercadorias de México e Canadá que violem as regras de um acordo comercial da América do Norte. Em 3 de abril, entrarão em vigor as tarifas sobre os automóveis importados.

Segundo Peter Navarro, o principal assessor comercial de Trump, as tarifas sobre automóveis poderiam arrecadar US$ 100 bilhões (R$ 576 bilhões) por ano.

Ainda não se sabe se o Brasil será ou não atingido pelas medidas, segundo informou uma autoridade da Casa Branca à Folha de S.Paulo. Mas, caso o país esteja na lista de afetados, as taxas incidirão sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos, sem exceções.

A ofensiva tarifária de Trump já tem forçado um redesenho dos fluxos comerciais internacionais. Além de tarifas retaliatórias de alguns países afetados, China, Japão e Coreia do Sul afirmaram, no domingo, que estão prontos para acelerar as negociações para um “acordo trilateral de livre comércio” e fortalecer sua cooperação por causa do tarifaço.

Coreia do Sul e Japão são grandes exportadores de veículos, enquanto os chineses foram duramente atingidos nos setores agrícolas e de aço e alumínio.

No câmbio e nas praças acionárias, o sentimento é de pessimismo e aversão ao risco. Em Wall Street, os principais índices tinham forte queda. O Dow Jones caía 0,94%, para 41.190 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 1,47%, a 5.499 pontos, e o Nasdaq Composite tinha queda de 2,36%, para 16.913 pontos.

“Ao contrário do otimismo cauteloso da semana passada, quando alguns sinais indicavam que o anúncio tarifário de 2 de abril poderia ser mais simbólico do que substancial, o que se vê agora é uma percepção crescente de que o governo Trump prepara algo significativamente mais agressivo”, disse o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

“A falta de clareza sobre os detalhes finais -e o próprio fato de que ainda estão sendo definidos- apenas amplia o risco de um evento desorganizado, capaz de gerar forte volatilidade.”

Na esteira da expectativa pelos anúncios tarifários, o Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão em 12 meses para os EUA de 20% para 35% e reduziu a previsão de crescimento do PIB em 2025 de 2,0% para 1,5%.

Os temores de recessão nos Estados Unidos estão diretamente relacionados às tarifas de Trump. A economia tem dado sinais de desaceleração nas últimas baterias de dados, mas a falta de clareza sobre o potencial inflacionário do tarifaço pode forçar o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) a manter os juros em níveis elevados para conter a alta de preços, o que pode resfriar ainda mais a atividade econômica.

O cenário desenhado por especialistas é de uma “estagflação”, isto é, quando a inflação está elevada e a economia não cresce.

Mais dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos serão conhecidos nesta semana. O destaque fica para sexta-feira, com a divulgação do “payroll” (folha de pagamento, em inglês).

No Brasil, o mercado de câmbio está sendo pautado pela formação da Ptax de fim de mês. A corrida pela taxa de referência do BC costuma causar volatilidade nas negociações: pela manhã, a moeda chegou a marcar a máxima de R$ 5,785.

“Hoje o movimento está sendo mais técnico, e a corrida pela Ptax pode gerar mais volatilidade ao longo do dia. O mercado ainda fica mais cauteloso por causa das divulgações de dados do mercado de trabalho nos EUA”, avalia Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

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