Desmatamento acelerado no Acre põe em risco comunidades e apaga memória ambiental da Amazônia

Acre registrou aumento de 28% no desmatamento em 2024, segundo o Inpe. Comunidades tradicionais ameaçadas, avanço da grilagem e impunidade colocam em xeque o futuro do bioma.

✍️ Eliton Muniz – Caboco das Manchetes
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Aumento do desmatamento traz ameaças diretas às comunidades tradicionais

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Acre registrou um aumento de 28% na taxa de desmatamento em 2024, em comparação com o ano anterior. As áreas sob maior pressão são as regiões do Vale do Juruá, Rio Purus e entorno de municípios como Cruzeiro do Sul, Feijó e Tarauacá. Os alertas emitidos pelo sistema Deter apontam corte raso intenso próximo a terras indígenas e extrativistas, elevando a vulnerabilidade dessas populações frente à invasão de madeireiros e grileiros.

Quem sofre e quem lucra com isso?

As comunidades mais afetadas são os povos Kaxinawá, Ashaninka e Madijá, que veem ameaçada sua subsistência, os recursos de floresta e os rios de onde tiram pescado e castanhas. O desmatamento fragiliza these territórios e expõe famílias tradicionais a riscos de violência. O lado lucrativo fica com madeireiras ilegais, especuladores de terra e intermediários que vendem madeira como extração branca legal — muitas vezes com conivência local.

Quando e onde ocorre a pressão ambiental?

Observações via Deter mostram que o pico do desmatamento aconteceu entre maio e setembro de 2024 — período de seca com pouca fiscalização e infraestrutura deficiente. Embora o governo tenha intensificado operações pontuais, a ausência de vigilância nas florestas remotas e o efetivo reduzido da Polícia Ambiental deixaram brechas para a proliferação das atividades ilegais.

O que está em jogo e como?

Quem denuncia são lideranças indígenas e ambientalistas: “quando cortam uma árvore, estão cortando nossa história e nosso futuro”, afirma a ativista Kátia Castro, do Xapuri. Para estas comunidades, o impacto é cultural, social e econômico ao mesmo tempo. Legalmente, o Código Florestal exige recomposição em áreas de preservação, mas faltam recursos e vontade política para aplicação mesmo diante de infrações evidentes.

Por quê isso exige ação agora?

O aquecimento global e o risco de colapso climático regional estão sendo acelerados pela perda de cobertura florestal. No Acre, até o último censo, mais de 60% do gás carbônico emitido por queimadas e corte ilegal não é contabilizado formalmente — uma falha grave nos programas estaduais de preservação.

Como enfrentar o problema?

Movimentos populares propõem retomar bases do Ibama e Funai na fronteira com o Peru, reforçar operações da PM Ambiental e capacitar guardas indígenas em tecnologias satelitais de vigilância. No campo institucional, pressiona-se pela criação de conselhos estaduais que incluam representantes das comunidades para co-gestão ambiental.

Mesmo diante de poucos resultados concretos até o momento, a perspectiva ultimamente é cética, mas com urgência: se o Acre não reagir com fiscalização contínua e responsabilização eficaz, esse aumento de desmatamento será irreversível — sobretudo na sombra de interesses econômicos que ganham com o apagamento da floresta.


Assinado por: Eliton L. Muniz – Estagiário | Cidade AC News – www.cidadeacnews.com.br

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