Bolsonaro cancela ida à Câmara após ameaça de prisão por Moraes

✍️ Eliton Muniz – Caboco das Manchetes
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Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, cancelou de última hora sua participação em sessões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 22 de julho de 2025, após uma ofensiva direta do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão de não comparecer ao Congresso veio logo após Moraes estabelecer um prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente justificasse a veiculação de vídeos considerados ofensivos ao Judiciário. Caso contrário, o risco de prisão imediata estava posto.

A visita de Bolsonaro ao Congresso havia sido articulada por parlamentares aliados, que aproveitaram o recesso para convocar sessões extraordinárias nas comissões de Segurança Pública e Relações Exteriores. A ideia era usar o espaço para aprovar moções de apoio e protesto contra as ações do STF. O comparecimento do ex-presidente serviria como palco político e mensagem simbólica, reforçando a narrativa de perseguição judicial que sua base tenta consolidar.

No entanto, diante da ameaça real de prisão, Bolsonaro recuou. A decisão foi comunicada à cúpula do PL, que passou o dia reunida em Brasília para redesenhar a estratégia. Segundo interlocutores próximos, o ex-presidente avalia que sua presença física no Congresso, em um momento de tensão jurídica máxima, poderia ser interpretada como afronta direta ao Judiciário e precipitar medidas mais duras.

Fontes próximas ao entorno bolsonarista relataram que, embora o ex-presidente estivesse disposto a enfrentar as consequências, o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica — imposta desde o dia 18 — e a possibilidade de prisão preventiva em plena sede do Congresso seriam humilhações insustentáveis para sua imagem. Na visão do núcleo político mais pragmático do PL, o recuo foi estratégico.

Mesmo sem a presença de Bolsonaro, parlamentares aliados mantiveram as sessões, adotando um tom mais duro contra o Supremo. Deputados da base governista, por outro lado, acusaram a manobra de ser ilegal e desrespeitosa ao recesso parlamentar. A oposição classificou o episódio como “espetáculo de autopromoção e vitimização”.

Internamente, a base aliada ao governo Lula monitora os desdobramentos com cautela. A avaliação é de que, embora a escalada de tensão possa beneficiar Bolsonaro no campo simbólico, ela o afasta do centro do debate institucional e o mantém à margem das decisões políticas reais. Já o STF se mantém em silêncio institucional, mas a ordem emitida por Moraes permanece ativa: ou a defesa apresenta justificativas convincentes ou a prisão pode ser determinada ainda hoje.

A repercussão nas redes sociais foi imediata. Bolsonaristas reforçaram a tese de que o ex-presidente sofre perseguição política, enquanto opositores apontaram covardia e recuo. A narrativa da “vitimização estratégica” voltou a ganhar fôlego — com hashtags convocando manifestações e discursos inflamados de parlamentares da linha de frente do PL.

A defesa de Bolsonaro tem até o fim da noite para responder formalmente ao Supremo. Caso não o faça, o mandado de prisão pode ser expedido já nas primeiras horas de amanhã. Mesmo com o recuo no Congresso, o cerco jurídico se fecha — e o cenário de embate entre Executivo, Legislativo e Judiciário permanece à beira do rompimento.


Eliton Lobato Muniz – Cidade AC News – Rio Branco – Acre

Data da postagem: 22/07/2025

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