Embraer bate guidance e promete mais crescimento em 2025

A Embraer bateu o consenso e anunciou um novo guidance para 2025, com novos recordes de receita e de entregas de aviões, mas com uma rentabilidade menor que a do ano passado. 

No quarto tri publicado há pouco, a Embraer disse esperar uma receita líquida entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões em 2025 – ante US$ 6,4 bilhões em 2024 – e entregas de 145 a 155 jatos na aviação executiva e de 77 a 85 no segmento comercial.

No ano passado, a empresa de São José dos Campos entregou 130 aviões executivos e 73 aeronaves comerciais – em linha com o guidance dado para o ano.

O guidance é para uma margem EBIT menor em 2025, dado que 2024 foi inflacionado pelo recebimento da arbitragem da Boeing, que pagou US$ 150 milhões à Embraer.  Depois de entregar 11,1% em 2024, a Embraer agora estima uma margem EBIT entre 7,5% e 8,3% este ano.

A empresa também prevê um free cash flow de pelo menos US$ 200 milhões. Em 2024, a empresa teve um fluxo de caixa livre de US$ 676 milhões – praticamente o dobro do previsto no guidance, que era de US$ 300 milhões ou mais. 

O CEO Francisco Gomes Neto disse que o FCF será menor porque houve uma antecipação de pagamentos de alguns clientes no ano passado, especialmente na área de defesa, o que turbinou o FCF em 2024.

Francisco afirma que em 2025 os resultados vão ser distribuídos de maneira mais igualitária, com “um primeiro tri mais fraco, seguido de dois trimestres mais fortes e um quarto trimestre não tão carregado.” 

“Estamos muito otimistas para este ano, mesmo depois de batermos recorde em receita, vendas e backlog,” disse o executivo ao Brazil Journal.

O balanço do quarto tri veio acima das expectativas do mercado – que já eram construtivas.

A receita líquida subiu 17% no trimestre para US$ 2,3 bilhões, em linha com o consenso Bloomberg. No ano, o crescimento foi de 21% e chegou a US$ 6,4 bilhões, na ponta alta do guidance divulgado para 2024.

Outras linhas tiveram resultados além do esperado. O EBITDA, ano contra ano, subiu 29% para US$ 328 milhões. O consenso apontava para US$ 272 milhões.

Em doze meses, o indicador saltou de US$ 562 milhões para US$ 922 milhões. 

Com isso, a margem EBITDA ajustada subiu de 10,7% para 14,4% de 2023 para 2024. 

“Todas as quatro unidades de negócio cresceram dois dígitos e com nossa estratégia de focar em margem, a rentabilidade também subiu. Para completar, conseguimos o investment grade das três agências de rating,” disse o CEO. 

A empresa viu sua alavancagem cair a praticamente zero no ano passado. 

Em um ano, a dívida líquida da Embraer – sem contar a EVE, a startup de EVTOLs – caiu de US$ 781 milhões para US$ 111 milhões. Com isso, a alavancagem da companhia caiu de 1,4x para 0,1x em um ano.

Esse resultado vai fazer com que a Embraer pague dividendos pela primeira vez em sete anos. Segundo Francisco, os valores ainda estão sendo calculados, mas o executivo disse que essa será uma realidade daqui para frente. 

Desde o início do ano, a Emnbraer já anunciou o maior pedido da sua história – 182 jatos executivos para a Flexjet – além de 15 aviões comerciais E190-E2 para a japonesa All Nippon Airways. 

“O mercado de transporte de passageiros está crescendo ano a ano e também estamos vendo os países investindo cada vez mais em suas forças armadas,” disse o executivo, lembrando as compras recentes do KC-390 anunciadas por Suécia e Eslováquia. 

Um ponto de atenção, no entanto, é a falta de peças que segue afetando o setor. 

Segundo o executivo, a companhia tem trabalhado em três frentes para evitar problemas com o supply chain: contratação de mais pessoas para trabalhar próximas aos fornecedores mais críticos; investimentos em ferramentas de IA para acessar e monitorar riscos da cadeia de fornecedores; e o supply chain recovery, um programa que atua para antecipar problemas de fornecedores, como a manutenção de máquinas. 

“Eu mesmo tenho de três a quatro reuniões por ano com os nossos fornecedores para entender como podemos ajudá-los a melhorar a capacidade,” disse o CEO. 

O executivo está otimista com o mercado americano, mesmo com as turbulências causadas pelo novo governo, e segue buscando oportunidades nos EUA, inclusive inorgânicas.

“Nossos planos não mudaram, afinal mais de 65% das nossas vendas de aviões executivos estão lá, temos grandes clientes comerciais e temos a expectativa de entrar com o KC-390 por lá,” disse.

Na segunda semana de fevereiro, a Embraer anunciou que pretende investir R$ 20 bilhões até 2030 para ampliar a produção e também colocar no mercado o EVTOL em 2027.

Segundo Francisco, esse valor será suficiente para garantir que a Embraer consiga dar conta de toda a demanda de aeronaves pelo mundo e alcance um faturamento de US$ 10 bilhões até o fim da década.

“E esse valor é sem contar as eventuais vendas da EVE,” disse. 

A ação da Embraer subiu 169% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 45,5 bilhões na Bolsa. 

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